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União Sto.André aguarda homologação

A Prefeitura de Santo André aguarda até a próxima terça-feira, 15 de abril, para homologar o Consórcio União Santo André vencedor da licitação para o transporte público na cidade.

Até a data, a Júlio Simões Transportes – desclassificada por não atender as exigências contidas no edital – pode contestar o resultado. Caso isso ocorra, o Consórcio União terá cinco dias úteis para apresentar a defesa. O governo andreense somente se manifestará a respeito do assunto após o vencimento do prazo legal para a impetração de recursos.

O Consórcio União Santo André – formado pelas empresas Viação Vaz, Viação Guaianazes, Viação Curuçá, Parque das Nações, Urbana Santo André e Transporte Urbano e Rodoviário Santo André – irá operar o transporte coletivo municipal por 30 anos (15 anos mais 15 prorrogáveis).

Dos 300 ônibus que obrigatoriamente terão de integrar o sistema, 100 deles, segundo Luiz Marcondes de Freitas Júnior, gerente geral da Aesa (Associação das Empresas do Sistema de Transporte de Santo André), deverão ser novos. A renovação total da frota ocorrerá de maneira gradativa. Ainda estão previstos no edital a implantação do sistema de abastecimento a gás e a construção de novos pontos. “As empresas vencedoras da licitação lutam pela melhoria constante dos serviços prestados à população. E em momento algum elas deixaram de fazê-lo”, acrescentou Marcondes.

Presidente da Aesa, Ozias Vaz garantiu que o Consórcio União Santo André está na expectativa de iniciar as atividades. “Acreditamos que se tudo correr bem, a partir do dia 15 podemos assinar o contrato e, automaticamente, começar a operar”, lembrou, ressaltando que os munícipes sentirão no dia-a-dia a melhora no transporte coletivo. “Com contrato assinado fica mais fácil conseguirmos financiamentos para realizar benfeitorias.”

Para José Ricardo Biazzo Simon, advogado da União Santo André, o resultado favorável ao Consórcio já era esperado. “A nossa proposta realmente é a mais vantajosa, além de ser técnica e legalmente a única em ordem do ponto de vista das exigências do edital.”

Fonte: Diário do Grande ABC

A maldição do Fura-Fila

Estimada em 1,2 bilhão de reais, obra que já mudou de nome duas vezes desabou e atrapalhou o trânsito por vinte horas

Pau que nasce torto não endireita. Esse provérbio popular parece se aplicar muito bem ao Fura-Fila, monstrenga obra que, por custar tanto a ficar pronta, parece ter se incorporado ao folclore paulistano. Seu mais recente capítulo ocorreu às 23h30 da última segunda, quando um módulo de 81 metros de comprimento e 990 toneladas do trecho em construção na Zona Leste despencou sobre o Viaduto Grande São Paulo. "Foi um erro de cálculo em um procedimento já dominado pela engenharia", afirma o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes. "Felizmente não houve vítimas." Os vinte operários que trabalhavam no local saíram a tempo e nenhum carro trafegava pelo viaduto naquele momento.


Quem sofreu o efeito colateral foram os motoristas. O viaduto ficou interditado até as 19h30 de terça-feira.– de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 7 000 carros chegam a cruzá-lo por hora. Para atenuarem o impacto no trânsito, 180 marronzinhos deslocaram-se para a região. O consórcio responsável pela obra, formado pelas empresas Carioca Engenharia e Andrade Gutierrez, precisou fazer uma operação de emergência para reposicionar o módulo. Cinqüenta profissionais, entre projetistas, técnicos e engenheiros, utilizaram 40 toneladas de concreto para equilibrar a estrutura.


O Fura-Fila foi apresentado como proposta eleitoreira de Celso Pitta, em 1996. Seria um trem futurista que percorreria um trajeto de 125 quilômetros. Eleito, Pitta pouco fez para colocá-lo em prática – mas enterrou 270 milhões de reais na obra. Na gestão Marta Suplicy, o projeto também não saiu do lugar. Rebatizado de Paulistão, recebeu 330 milhões de reais em investimentos. Os 174 pilares de concreto na Avenida do Estado eram um marco negativo na paisagem paulistana e davam a impressão de que nunca serviriam para nada. Sob o nome de Expresso Tiradentes, parte da obra finalmente foi inaugurada no ano passado, já sob a gestão Gilberto Kassab. Nada de trens futuristas nem dos 125 quilômetros do projeto original. Acabou virando um corredor de ônibus de 8,5 quilômetros de extensão, por onde circulam 21 veículos que transportam 42 000 pessoas por dia. Liga o Parque Dom Pedro II, no centro, ao Sacomã, na Zona Sul.


Outros três trechos precisam ser terminados para que o Expresso Tiradentes fique, enfim, pronto. Seus 32 quilômetros de extensão terão consumido, então, 1,2 bilhão de reais. O corredor deve chegar até Cidade Tiradentes, no extremo leste paulistano. Estima-se que, se for de fato concluído, transportará 500 000 passageiros por dia. "O projeto é interessante porque vai criar uma alternativa de deslocamento em uma das regiões mais carentes da cidade", acredita o engenheiro Jaime Waisman, especialista em transporte urbano. O secretário Alexandre de Moraes ainda não sabe se o prazo de inauguração do trecho em que ocorreu o acidente, marcada para a segunda quinzena de maio, será alterado. "Vamos aguardar os laudos técnicos para definir isso", condiciona. "Mas certamente o consórcio responsável pela obra será multado." Após tantos nomes diferentes, tanto dinheiro investido e tantos problemas, a previsão é que o Expresso Tiradentes estará entregue à população até o fim de 2009. Será?

 


Doze anos de confusões


De promessa eleitoreira a obra que custa a ficar pronta, eis a história do Expresso Tiradentes


• Com cara de trem futurista – e abuso de recursos gráficos –, o Fura-Fila foi apresentado por Celso Pitta na campanha eleitoral de 1996.


• Durante sua gestão, Pitta enterrou 270 milhões de reais na obra, que não chegou a lugar algum. Na prática, o Fura-Fila não passava de alguns pilares erguidos em 3 quilômetros de trajeto – o projeto original previa 125 quilômetros.


• Em sua campanha, em 2000, Marta Suplicy prometeu que não abandonaria o Fura-Fila. Rebatizou-o de Paulistão, investiu 330 milhões de reais e... nada. Até o fim de sua gestão, o que se via eram apenas 174 pilares de concreto fantasmas na Avenida do Estado.


• Eleito em 2004, o prefeito José Serra chegou a cogitar implodir tudo. Voltou atrás ao contabilizar o que já fora gasto ali.


• Em março de 2007, o prefeito Gilberto Kassab inaugurou o primeiro trecho da obra, rebatizada de Expresso Tiradentes. Nada de trens futuristas. Com 8,5 quilômetros em funcionamento, o corredor tem 21 ônibus e liga o Parque Dom Pedro II, no centro, ao Sacomã, na Zona Sul. Transporta 42 000 pessoas por dia.


• O Expresso Tiradentes só deve ficar completo no fim de 2009. Terá, então, 32 quilômetros de extensão.

Fonte: ANTP / Vejinha




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